"A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas". Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte constitui um problema só para os seres humanos. Na verdade não é a morte, mas o conhecimento da morte que cria problemas. Há várias maneiras de lidar com o fato de que todas as vidas, incluídas as das pessoas que amamos, têm um fim. Podemos tentar evitar a idéia da morte afastando-a de nós tanto quanto possível ou assumindo uma crença inabalável em nossa própria imortalidade. "Os outros morrem, eu não". Há uma forte tendência neste sentido em nossa sociedade. Finalmente, podemos encarar a morte como um fato de nossa existência; podemos ajustar nossas vidas, e particularmente nosso comportamento em relação às pessoas, à duração limitada de cada vida.
No curso de um processo civilizador, mudam os problemas enfrentados pelas pessoas. Mas não mudam de uma maneira desestruturada, caótica. Examinando de perto, detectamos uma ordem específica mesmo na sucessão de problemas sociais humanos que levam a catástrofes. Temos uma tendência a buscar respostas em algo sobrenatural, que foge ao nosso controle. É negar o perigo ou em última instância a morte.
Vivemos numa sociedade em que se impôs a idéia de que só a ciência podia tirar a humanidade do sofrimento e da desgraça. Está em curso uma solução para que todos se sintam seguros, será um novo e ultra-moderno sistema que irá prevenir e evitar novas catástrofes. É a crença de que a sabedoria e a capacidade humana fará desaparecer todas as angústias e trará a felicidade aos homens, afastando o risco da morte.
Para finalizar, Deus não é mais o que era. É em outro lugar que Ele agora se situa. Ele se encontra no nível das interrogações e não mais no nível das certezas. Encontra-se misturado a nossas angústias e a nossas perguntas sobre o sentido profundo das coisas.
Penso que a principal tarefa do nosso século é reintegrar Deus ao interior de cada um.


