Para meus filhos, Henrique e Renato,
Acho que foi muito ruim, para a minha e outras gerações, não termos tido a Filosofia como matéria curricular. Felizmente a disciplina voltou, mas vejo o desinteresse dos alunos. Muitos acham que é algo complicado, outros que não serve para nada e pior ainda:
"Isto não interessa!".
Pretendo fazer aqui pequenas colocações que possam despertar a curiosidade e o interesse no assunto.
Inicialmente gostaria de lembrar que
"a vontade é o princípio que rege tudo", como nos ensinou
Schopenhauer em
"O Mundo Como Vontade E Representação".
Kant, excêntrico filósofo iluminista, em
"Crítica Da Razão Pura" tem trechos incompreensíveis para o senso comum, mas tem textos mais curtos acessíveis para leitores sem treino filosófico.
Sócrates esclarece que a sabedoria não flui assim tão fácil, como se saísse de um pote cheio para um vazio. A sabedoria não se deixa ensinar. Por isso ele surpreende com o comentário:
"Só sei que nada sei". Ele é o primeiro filósofo do auto-conhecimento.
Platão no
"Banquete" faz uma reflexão sobre o deus da festa, o deus do êxtase e do amor: Eros, Dionísio.
Nietzche já nos primeiros textos reclama da discrepância entre a teoria e a prática na filosofia européia, e afirma
"Não confie num pensamento que vem quando você está assentado". Ele, em
"A Gaia Ciência" mostra como a educação dentro de uma sociedade orientada para o crescimento econômico é um empecilho ao desenvolvimento do "eu". Ele também escreveu:
"toda formação que leva à solidão e prioriza o dinheiro e o lucro é odiosa". Infelizmente isto pode ser confirmado atualmente. Precisamos questionar nosso papel e envolvimento com essa cultura do lucro geral. Nada parece ter mudado na lógica de possuir
"muito de nada", desde os tempos de Nietzche. Outra frase deste importante filósofo que gostaria de relembrar:
"Sem música, a vida seria um erro". Concordo totalmente.
Heráclito, pensador pré-socrático, conhecido como " o obscuro" falava,
"eu sou um estudioso de mim mesmo" e
" o todo está em cada um; cada um faz parte do todo".
Filosofia é para
Epicuro a arte de viver bem e consiste principalmente em viver sem alimentar medos inúteis.
Montaigne não escreve para o público em geral, mas para si mesmo.
"Eu não fiz meu livro mais do que meu livro me fez". Enquanto tenta escrever, elabora um sistema de anotações sobre o "eu".
"Quem é amigo de si mesmo também é amigo dos outros". Ele queria fazer o auto-retrato do seu pensamento. Nos seus
"Ensaios", ele narra as experiências que viveu observando os próprios pensamentos. Escreveu:
"Só é necessário ter sinceridade e coragem de enfrentar a solidão".
Com
Pirro, descobrimos o ceticismo como caminho para si mesmo.
"Autocontrole demais não é vida".
Deleuze ressalta a sensibilidade que sempre está contida no pensamento, consciente ou inconscientemente. A
"Dobra" é o título de um livro sobre Leibniz.
"Perceber o universo por meio de conceitos é como dobrar papel". Dobra sobre dobra, infinitamente, num movimento variado. E cada dobra é uma compressão, uma abstração do mundo. Ele nos aconselha, deixe suas idéias fluírem.
"Seja um nômade do pensamento".
Foucault, o filósofo itinerante, admitia que tinha
"uma profunda incapacidade" de cultivar a arte sublime do ócio. Ele observou que o homem, após conquistar a consciência crítica, não muda necessariamente os hábitos cotidianos. A fome de poder e a fome de saber estão atreladas.
"Conhecer os poderes não é o suficiente para livrar-se deles".
"O saber não serve para compreender, mas para recortar".
Para concluir:
"A Filosofia nos ensina que infelizmente não há arte de viver sem mudanças".