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sexta-feira, 9 de março de 2012

Se você pretende

conhecer maravilhas

viajando pelo mundo,

esqueça.

Nada se compara

às que existem

dentro de você!


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"A SOLIDÃO DOS VIVOS"

Após estes dias em que contamos os mortos de mais uma tragédia, quero usar este espaço para colocar algumas palavras de Norbert Elias (sociólogo alemão), misturadas com considerações pessoais.
"A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas". Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte constitui um problema só para os seres humanos. Na verdade não é a morte, mas o conhecimento da morte que cria problemas. Há várias maneiras de lidar com o fato de que todas as vidas, incluídas as das pessoas que amamos, têm um fim. Podemos tentar evitar a idéia da morte afastando-a de nós tanto quanto possível ou assumindo uma crença inabalável em nossa própria imortalidade. "Os outros morrem, eu não". Há uma forte tendência neste sentido em nossa sociedade. Finalmente, podemos encarar a morte como um fato de nossa existência; podemos ajustar nossas vidas, e particularmente nosso comportamento em relação às pessoas, à duração limitada de cada vida.
No curso de um processo civilizador, mudam os problemas enfrentados pelas pessoas. Mas não mudam de uma maneira desestruturada, caótica. Examinando de perto, detectamos uma ordem específica mesmo na sucessão de problemas sociais humanos que levam a catástrofes. Temos uma tendência a buscar respostas em algo sobrenatural, que foge ao nosso controle. É negar o perigo ou em última instância a morte.
Vivemos numa sociedade em que se impôs a idéia de que só a ciência podia tirar a humanidade do sofrimento e da desgraça. Está em curso uma solução para que todos se sintam seguros, será um novo e ultra-moderno sistema que irá prevenir e evitar novas catástrofes. É a crença de que a sabedoria e a capacidade humana fará desaparecer todas as angústias e trará a felicidade aos homens, afastando o risco da morte.
Para finalizar, Deus não é mais o que era. É em outro lugar que Ele agora se situa. Ele se encontra no nível das interrogações e não mais no nível das certezas. Encontra-se misturado a nossas angústias e a nossas perguntas sobre o sentido profundo das coisas.
Penso que a principal tarefa do nosso século é reintegrar Deus ao interior de cada um.

domingo, 26 de dezembro de 2010

PARA QUE FILOSOFIA?

  Para meus filhos, Henrique e Renato,

    Acho que foi muito ruim, para a minha e outras gerações, não termos tido a Filosofia como matéria curricular. Felizmente a disciplina voltou, mas vejo o desinteresse dos alunos. Muitos acham que é algo complicado, outros que não serve para nada e pior ainda: "Isto não interessa!".
    Pretendo fazer aqui pequenas colocações que possam despertar a curiosidade e o interesse no assunto.
    Inicialmente gostaria de lembrar que "a vontade é o princípio que rege tudo", como nos ensinou Schopenhauer em "O Mundo Como Vontade E Representação". 
    Kant, excêntrico filósofo iluminista, em "Crítica Da Razão Pura" tem trechos incompreensíveis para o senso comum, mas tem textos mais curtos acessíveis para leitores sem treino filosófico.
    Sócrates esclarece que a sabedoria não flui assim tão fácil, como se saísse de um pote cheio para um vazio. A sabedoria não se deixa ensinar. Por isso ele surpreende com o comentário: "Só sei que nada sei". Ele é o primeiro filósofo do auto-conhecimento.
    Platão no "Banquete" faz uma reflexão sobre o deus da festa, o deus do êxtase e do amor: Eros, Dionísio.
    Nietzche já nos primeiros textos reclama da discrepância entre a teoria e a prática na filosofia européia, e afirma "Não confie num pensamento que vem quando você está assentado". Ele, em "A Gaia Ciência" mostra como a educação dentro de uma sociedade orientada para o crescimento econômico é um empecilho ao desenvolvimento do "eu". Ele também escreveu: "toda formação que leva à solidão e prioriza o dinheiro e o lucro é odiosa". Infelizmente isto pode ser confirmado atualmente. Precisamos questionar nosso papel e envolvimento com essa cultura do lucro geral. Nada parece ter mudado na lógica de possuir "muito de nada", desde os tempos de Nietzche. Outra frase deste importante filósofo que gostaria de relembrar: "Sem música, a vida seria um erro". Concordo totalmente.
    Heráclito, pensador pré-socrático, conhecido como " o obscuro" falava, "eu sou um estudioso de mim mesmo" e " o todo está em cada um; cada um faz parte do todo".
    Filosofia é para Epicuro a arte de viver bem e consiste principalmente em viver sem alimentar medos inúteis.
    Montaigne não escreve para o público em geral, mas para si mesmo. "Eu não fiz meu livro mais do que meu livro me fez". Enquanto tenta escrever, elabora um sistema de anotações sobre o "eu". "Quem é amigo de si mesmo também é amigo dos outros". Ele queria fazer o auto-retrato do seu pensamento. Nos seus "Ensaios", ele narra  as experiências que viveu observando os próprios pensamentos. Escreveu: "Só é necessário ter sinceridade e coragem de enfrentar a solidão".
    Com Pirro, descobrimos o ceticismo como caminho para si mesmo. "Autocontrole demais não é vida".
    Deleuze ressalta a sensibilidade que sempre está contida no pensamento, consciente ou inconscientemente. A "Dobra" é o título de um livro sobre Leibniz. "Perceber o universo por meio de conceitos é como dobrar papel". Dobra sobre dobra, infinitamente, num movimento variado. E cada dobra é uma compressão, uma abstração do mundo. Ele nos aconselha, deixe suas idéias fluírem. "Seja um nômade do pensamento".
    Foucault, o filósofo itinerante, admitia que tinha "uma profunda incapacidade" de cultivar a arte sublime do ócio. Ele observou que o homem, após conquistar a consciência crítica, não muda necessariamente os hábitos cotidianos. A fome de poder e a fome de saber estão atreladas. "Conhecer os poderes não é o suficiente para livrar-se deles". "O saber não serve para compreender, mas para recortar".

   Para concluir: "A Filosofia nos ensina que infelizmente não há arte de viver sem mudanças".
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